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Mostrando postagens de novembro, 2016

Vida fugaz

Acordo com a notícia da tragedia do time Chapecoense, mais de 76 atletas mortos num acidente aéreo, peça pregada pela vida, justo o avião que os levaria para mais um combate nos campos de futebol, talvez ali esperava-se uma vitória, gols, aplausos, fama, dinheiro e claro reconhecimento de um trabalho árduo de quase um ano para esse campeonato. Quantos sonhos, projeções, dias de planejamento, de treinos físicos incessantes, eram todos na sua maioria jovens entre seus 20 e 30 anos. Como compreender esses desígnios do destino? O jogo encerra sem começar, o placar não foi aceso o estádio continua vazio e o campo abandonado, aberto e verde talvez nos ensine o significado de fugaz  adjetivo de dois gênero:  que tem rapidez, rápido, ligeiro, veloz e que desaparece rapidamente, que dura muito pouco, efêmero e passageiro . Acontecimentos como esse, nos fazem refletir, repensar sobre nossos limites,porque ilimitado só nossa alma. A dimensão da dor da perda, do fracasso em partir antes d...

O som da Itália e meu

Porque hoje domingo, a inspiração vem da música do país do meu pai, ele que cantava belíssimamente bem. Me envolvo então na magia da recordação, no som e nas emoções paupaveis, densas, quentes e vibrantes, assim somos nós, os italianos. Na sequência a tradução que cala qualquer dúvida sobre o meu espírito enamorado. Senza fine Tu trascini la nostra vita Senza un attimo di respiro Per sognare Per potere ricordare Ciò che abbiamo già vissuto Senza fine, tu sei un attimo senza fine Non hai ieri Non hai domani Tutto è ormai nelle tue mani Mani grandi Mani senza fine Non m'importa della luna Non m'importa delle stelle Tu per me sei luna e stelle Tu per me sei sole e cielo Tu per me sei tutto quanto Tutto quanto io voglio avere Senza fine... Sem fim... Você arrasta nossa vida Sem um instante de respiro Para sonhar Para poder relembrar Aquilo que já vivemos Sem fim, você é um instante sem fim Não tem ontem Não tem amanhã Tudo está já em suas mãos Mãos grandes Mãos sem fim Não me impor...

Poesia de zelador, por Taty Brito

Sobre a pintura gasta dos antigos casarões do Centro de Santos, poesias escritas à mão por zelador  Textos ficam colados nas paredes das casas históricas e chamam a atenção de todos que passam pelo lugar  Os antigos casarões do Centro de Santos costumam ser um deleite para quem ama construções históricas nos mais variados estilos arquitetônicos. Envelhecidos com o tempo, alguns desses espaços conservados oferecem hoje serviços essenciais para o dia a dia dos moradores, como estacionamentos, restaurantes, entre outros.  A Rua do Comércio é uma das principais da região central e permite uma viagem no tempo por meio de seus imóveis. Em algumas paredes dos casarões estão expostos murais de versos que retratam o cotidiano dos moradores. Escritos à mão em folhas de sulfites, as frases estão coladas sobre a tinta gasta com o tempo. O autor das poesias é um zelador comercial de 50 anos que descobriu o talento com a escrita na juventude, mas só o revelou para o mundo há dez anos....

Bahia em São Paulo

Preconceito Rodolfo Pamplona Filho Sou baiano, Negro,  Pobre E Gay Sou cigano Feio, Baixo e Chinês Nordestino ou  Argentino Mendigo ou Indigente Idoso ou Menor Carente Deficiente ou Impotente Crente ou Ateu Árabe ou  Judeu Umbandista ou Adventista Testemunha ou Kardecista Migrante ou Imigrante Presidiário ou Proletário Refugiado ou Desabrigado Bêbado ou Drogado Alcóolatra ou Viciado Desempregado ou Condenado Sou muito mais que tudo isso... Se, não na carne, no espírito de solidariedade com aquele que sofre, chora e morre não pelo que faz ou fez, mas pelo sentimento incontrolável de quem não compreende... Nem faz qualquer esforço para isso... É preciso sentir na pele, por vezes, literalmente, para dimensionar a loucura de julgar o outro sem um dado objetivo que justifique esta postura. Não é fácil matar  um leão por dia e ser excluído pelo grau de melanina OU por quem você suspira OU pela sua conta bancária OU pela sua luta diária OU de onde vai ou vem OU de quem você...

Deselegante sinceridade

Lá vou eu tocar na ferida moral e aberta que todos nós temos, sem exceções, a tal sinceridade, quem a suporta? Esses dias tive um ataque de sinceridade e muito provavelmente fui odiada por isso. A sinceridade é deselegante, ultrajante, ameaçadora  e desconcertante. Engraçado que aprendemos que o importante é falar a verdade , custe o que custar, mas quem é capaz de pagar essa conta? A sinceridade custa caro!! Imagina só eu falando com sinceridade tudo o que acho dos meus vizinhos, amigos e familiares....? A sinceridade é pesada, claridade que dói os olhos, nos dói demais nos enxergar como somos, sem vendas ou óculos!! Ahhh os espelhos mórbidos da sinceridade!!!! Me responda quem quer ouvir mesmo que sinceramente falando, que está gordo, com cabelos brancos, ranzinza e desinteressante. Obrigada, eu passo.  Será mesmo que a sinceridade é elemento fundamental nas relações? Me conte elegantemente uma mentirinha gostosa de ouvir e me faça ganhar o dia, vou sorrir, aquele sorriso ...

Finitude e Finados

Escrever sobre finitude sempre me pareceu aterrorizante, hoje escrevo na varanda do apartamento com sol, barulho de carro, Tony Benett ao fundo num Dueto charmoso cantando Blue Velvet ( Veludo Azul)  com Maria Gadu.  As coisas tem mudado por aqui, nada mais me parece  cinza, escrevo sobre morte, finados e fim com certo glamour e beleza. Não acho esse feriado propriamente feliz, mas o vejo hoje com um significado mais romântico no mínimo, afinal o fim de qualquer coisa  que seja, é bonito. O encerramento nos propros um inconsciente e obrigatório  recomeço, seja lá do que for, não acham? Lembramos de quem já foi antes de nos, com saudades e alegria, certamente cumpriram suas missões com mais habilidade que nos. Infantilmente às vezes choramos a falta, ausência, por pura carência e melindres típicos da nossa vontade de sermos novamente crianças, nem que seja por um único instante. Crianças choram muito, assim como nós também, não esqueçam!! Quem partiu já não...