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Não quero fechar meus olhos.



Não sei  nada sobre normalidade e de fato a condição de escrever aquilo que é assertivo nunca foi minha praia.

Gosto do sabor da emoção, gosto de sentir frio na espinha, na barriga e aquela sensação estranha de não saber o que fazer com as mãos e nem pra onde olhar quando alguém me parece interessante e assustadoramente maior que eu.

Gosto de conhecer pessoas novas todos os dias e antigas também, pessoas tem um estranho dom de surpreender.

Esses dias mesmo fui surpreendida, claro, sempre sou e vou morrer sendo, mas gosto da ideia que de fato conheço o coração dos humanos, coitada de mim.

Gosto de lembrar dos meus  inúmeros casos de amores que sobrevivem no máximo uma semana, porque sou dessas. Ate que  um amigo muito querido uma vez me deu o conselho mais inédito e sábio :
 -" Ari, amor é tentativa, erro e acerto, não tenha medo, tenha paciência", evidentemente eu sorri e logo tratei de fazer uma piada infame, porque nessa vida eu tenho quase tudo, menos paciência.

Pensando nesse dialogo e em tudo que tem me ocorrido nos últimos dias, lembrei de quando saltei de paraquedas. Foi uma sexta-feira de 2015 e justamente aniversario da minha melhor amiga, não avisei a família, somente ela, deixei uma espécie de recado macabro: - feliz aniversario amiga, caso não apareça na sua festa é porque morri durante um salto de paraquedas. Ela retornou imediatamente, tadinha.....rimos um pouco e naquela altura já estava na pista com o instrutor.

Lá fui eu, com medo, sem sentir as pernas, sem sentir o ar, com coração disparando, feliz, agitada, gritando e simplesmente completa, exatamente como quando eu estou apaixonada, e vale lembrar que quando digo apaixonada serve para pessoas, projetos, cidades e livros.

O único problema é que o instrutor de paraquedismo alertou de forma doce e poética,  e eu não levei em consideração.

 - Arielli, adrenalina vicia, cuidado, você ficara horas e dias com essa sensação maluca de viver até a ultima gota e você pode deixar de dormir, porque descobrir que a vida vale a pena, nos traz um pesar enorme em desperdiça-la.

Parece que eu ando assim, sem vontade de fechar meus olhos, pronta para mais um salto de paraquedas.

Next..... porque a vida é feita de tudo que ainda não vivemos e eu tenho pressa.

Beijos com frio na espinha ,

Arielli







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