Já fez um ano que o país todo noticiava a morte violenta da vereadora carioca, Marielle, um nome que tirando uma letra e alterando uma vogal, fica quase como o meu.
Minha dor foi igual a tantas notícias de morte e violência, eu choro de pensar que o meu Brasil sofre com tantos desencontros de classes e intolerâncias.
A violência que mata ou só silencia, são doenças traiçoeiras, duras e incuráveis, mas quantas são as Marielles por ai? Nesse exato momento em que escrevo muitas, Joanas, Marias, Anas, Josés, Joãos, Marcios, sofrem violência de qualquer tipo ou estão morrendo, porque a dinâmica da sociedade infelizmente é similar a uma Guerra Mundial, na real mesmo, aqui é a própria Faixa de Gaza e pouco importa se você é mulher, negra, branca, homem, gay, índio ou japonês ou criança, nossa matéria pode até ser feita de sonhos, como diz o poeta, mas é frágil, todos somos humanos.
Vida e morte nos encontram diariamente, médicos legistas assinam todos os dias certidões de Óbitos, e de vida? Quem pode atestar vida?
Pensamos juntos, que caso seja de fato inevitável a morte, como é, porque não possuímos a imortalidade dada aos vampiros, que tal então experimentar viver, sabendo que a data de partida pode ser por exemplo amanhã depois da novela das 21:00?
Façamos uma vida com sentido, daquelas que dá gosto de ver! Aceito sugestões e sugestiono também.
Aqui pensei em algumas;
Que tal parar 5 minutos para ligar para um amigo que faz tempo que você não ouve a voz?
Que tal parar naquela sorveteria preferida e foda-se, caso atrase 10 minutos do seu próximo compromisso, é impagável chupar um sabor do gelato que a gente mais gosta, lembra a infância e aí, bate aquela sensação de férias em pleno expediente, tem coisa melhor? Tem, sexo, mas tá difícil, eu entendo e sexo é algo muito da vida adulta.
Que tal parar no meio do dia, pode ser numa padoca, só para escrever tudo que já fez e tudo que ainda terá que fazer até chegar em casa e pior ou melhor perceber que 50% das tarefas não foram tão legais, e que, você sentiu mais tédio do que tesão. Caso não curta escrever, mande um whatsapp, recomendo por áudio, é mais engraçado e depois você pode ouvir, porque todo louco curti ouvir os áudios que envia e foda-se também para quem você vai enviar, só tenha sorte de enviar para alguém de confiança que ao final de ouvir, seja gentil com você e ao menos responda sem emojis.( acho respostas com emojis um terror).
Fazer um belo atestado de vida é algo sério, demorado e até mesmo complicado, porque via de regra todos sem exceções tem uma melancólica sensação de auto sabotagem.
Explico.
Parece que ser feliz e fazer aquilo que nos agrada são atos ofensivos ou imorais. Não digo que a vida é só prazer e felicidade, mas que tal arrumar um jeito de dar uma chance de ter bons momentos, já que tudo acontece tão rápido.
A moda é parecer sempre muito ocupado, antenado e de preferência fazendo a cena de quem está escrevendo ao celular, porque , caso contrário você será chamado de desocupado, e com isso a gente vai perdendo o tal sabor do sorvete, o tal amigo, a casa e sem imaginar você já não sabe nem qual é sua banda favorita, nem o que você tomou no café da manhã e para desgraça geral, você não sabe nem mesmo se está vivo.
Porque você pode acreditar ou não, nós morremos todos os dias um pouco e nada acontece de uma vez, as células tão sinais e os sinais acompanham todo o resto de átomos.
O corpo para quando a alma já se foi e entendendo a logica que somos em tese constituídos por água, eu tento com esforço ser constituída de pessoas que me cercam, que me amam e que eu também amo, fica mais fácil aceitar a imortalidade.
Você não morre quando para de respirar, você morre quando para de amar a vida que vive.
Então faz um favor pra você mesmo: Tira o coração do chão.
Eu não sou a Jojo Toddynho, mas por favor me responda se puder, que tiro foi esse?
Escrevo a ultima crônica do ano 2018, afinal em 4 dias encerramos mais um tempo. Aquela sensação de - pode encerrar a conta, já esta na minha boca, manja? Aquele grito de acabou, pode fechar já ecoa aqui onde estou. Se é bom? Não sei, acho que é. Encerro esse ano feliz, confiante, agradecida por tantos bons encontros, grata pelos muitos trabalhos que fiz, alegre por cada nova amizade, animada com o futuro, cansada com o coração que vive as voltas com paixões erradas, triste pela perda de algumas pessoas, decepcionada com alguns amigos, ou seja um balanço bem realista, porque a vida não pode ser perfeita, caso fosse, seria um saco. E olha que eu um dia já pensei que vida boa é vida calma, tipo comercial de margarina, que ilusão a minha. A vida boa é feita de maré alta, turbilhão, loucura, desatino e confusão, e o mesmo segue na logica do ano. O ano bom é aquele que você termina sem saber como foi que começou, qua...

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