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Il Postino e eu.

Faz tempo que não dedilho por aqui, estava com saudades.

 Esse texto esta bem longe de ser resenha de filme apesar do titulo, eu nunca soube escrever resenhas, não tenho imaginação para resumir, não sei ser resumida, adoro contar tudo que me surpreende com detalhes- daqueles bem preciosos, ou seja, fazer sinopse de filmes não é e nunca sera um ponto forte..
É justo indicar esse clássico pelo fato de ter ganho premio pela trilha sonora, porque fala de Neruda, meu poeta do coração, porque o cenário é a Itália minha pátria  e porque acima de tudo a historia é muito tocante...faz tempo que as relações humanas não me tocam tanto. Basicamente a historia é entre um simples entregador de cartas e um poeta/politico, a sutileza da obra esta justificada e mais como você  a vê e eu vi tanta coisa....mas tanta....ahhh meu coração sonhador ainda bate forte no peito cansado que carrego no corpo igualmente cansado da inercia dos dias que vivemos.
Somos tao poetas quanto  entregadores de cartas ou de sonhos, somos simples e compostos, somos cheios de verbos e pronomes....somos o noticiário da TV, somos os dias que insistem em não passar na interminável quarentena, somos o vírus que voa no ar, somos a taça de vinho que precisamos para amortecer nossa solidão e nossos medos, somos  a cerveja que agora podemos abrir a qualquer hora do dia para matar a cede e o recalque que habita da garganta seca.
Calma- a lista não acabou.
Coloque se puder a trilha sonora do filme para continuar a leitura, recomendo.
Pode aumentar o som, esse período em que vivemos os vizinhos estão tão ou mais loucos que você, todo mundo a essa altura já virou o Coringa, o que significa que ninguém vai reclamar do som e caso reclamem, sugiro a você colocar a culpa nos panelaços e tá tudo certo- repassar essa conta pra alguém é justo, não acha? Alguém terá que pagar.....e que não seja você, de verdade para você eu espero que sobre aos montes  muitas reflexões , daquelas que nem psicologo de celebridades consegue dar jeito. 
Uma paranoia bem elaborada na altura do campeonato pode ser redentor.
Entender que a vida é um filme interminável, sem roteiro certo, com uma equipe de produção bem reduzida,  com cenários improváveis, com falas adaptáveis e sobretudo com personagens improváveis pode ser um começo e quem sabe a partir disso você pare de consumir lives  sem limites e faca a sua própria-  tem lá seu charme ser você e viver só por você.
Sigo otimista apesar do caos e um pouco preocupada, confesso-  porque de verdade não sei se o período me transformou em outra pessoa ou só revelou quem eu realmente sou -  piadas a parte, as vezes penso que estou em Vegas, me perco no horário, bebo alem da conta e perco dinheiro mesmo sem fazer apostas, sou definitivamente muito ruim em administrar o tempo!
Pronto tempo!! Você venceu.
As vezes me pego cantando musicas italianas, escrevendo bilhetes em papel de recados com desejo de ser como Neruda, as vezes estou nas ruas de Salerno, as vezes estou no jardim de flores amarelas, como aqueles que existem em Hanover ( o amarelo das flores alemães são mais vivos), as vezes eu preciso só da sala de casa mesmo e olhando o horizonte de Sao Paulo eu faco força pra me achar, no dia- no tempo- na vida.
As vezes estou no silencio de cada dia que encerra  ..... as vezes na lagrima de saudades de alguém ou de algum dia que ainda nem nasceu.
As vezes, eu acho que precisava ser só uma carta como aquelas que Neruda recebia diariamente do "postino" e olha, o conteúdo das cartas nunca foram revelados ( ao menos no filme) e  não importa - o importante era chegar .....
Um beijo sem remetente ou selo.



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