Pular para o conteúdo principal

Dezesseis completos e quase dezenove

Pouco ou quase nunca escrevo dos meus filhos, eles são discretos, tímidos como qualquer adolescente, aliás que fase! Poderíamos todos, nascer e pular da infância para a maduridade? Que maravilha seria.....
Fixo meu olhar nele, o caçula já com dezesseis anos, completados mês passado. Ele fala com propriedade de qualquer assunto, é gentil, educado, rápido nas ideias e tem um jeito debochado mais delicioso que eu já vi na vida. Ele sabe sorrir e me hipnotizar quando solta uma gargalhada. 
Sobre o número dezenove, sim!!! Meu filho mais velho fará 19 anos, agora dia 5 de setembro, será que estou velha? Ele é desafiador, eu amo um desafio!! 
Sobre ele um universo se abre, ele busca    as verdades dele, sempre verdades absolutas, nessa idade também tinha as minhas, eu era insuportável. 
Ele gesticula com a mesma rigidez que leva a vida, mas é incrível a sensibilidade que existe naquele rapaz barbudo que ontem dividiu a mesa de jantar comigo. Ele tem no olhar um charme de cachorro abandonado, azul profundo, meu reflexo de céu particular, meu encantamento.
Estamos todos crescendo juntos e de todas as formas possíveis, inclusive intelectualmente, nossas pautas estão cada vez mais ricas, falamos de política, religião, moral e filosofia.
Sobre ser mãe? Não tenho uma visão romântica, aliás como ter? É muito difícil ver seu coração batendo fora do seu peito,pior,  sem o seu menor controle.
Atualmente cada qual tem uma vida paralela, com atividades diferentes. Não estamos todos os dias juntos como quando eles eram pequenos, nem poderia.
E acredite você ou não, quando estamos juntos, meu tempo para literalmente e aquela mãe que existe dentro de mim, vem à tona, ridiculamente à tona, exagero nos abraços, nos beijos sem medidas e sempre faço uma declaração de vida e de morte. Digo que morro por eles, mas também sou capaz de me matar também por eles. ( no caso de desobediência) que infame que sou.
Toda mãe é dramática , se não for, desconfie, não é mãe de verdade.
Eu sinto aqui em mim a maior capacidade de amar porque eles fizeram sem querer esse estrago!!
Nunca mais fui a mesma.
Nunca mais dormi direito, às vezes sinto culpa, medo e incapacidade, acompanhada de doses de angústia.
Mas ontem!!! A força do instinto foi tão intensa que fui invadida por algo mágico e infantil.
Com os dois na mesa de jantar, me senti plena, feliz, realizada e com aquela sensação de missão cumprida, aquela sensação de aluna que tira dez na prova e passa direto de ano, manja?
Filhos, meus pedaços no mundo! Minha perpetuação, minhas paixões, em vocês meu orgulho ganha tamanho e força, e que força enorme, assustadora!!
No abraço de despedida após o jantar, senti aquele cheiro que só filho tem.Cheiro de leite materno, cheiro de Deus, cheiro de aconchego.
Meninos, não posso mais segura-los no meu colo como antes, o mundo lá fora espera por vocês. O mundo não tem meu perfume e nem a minha bondade. Então fazemos assim, quando tudo der errado, ou simplesmente quando a saudade bater, a gente inventa uma desculpa daquelas bem baratas só para nos abraçarmos!! Podemos deitar na cama juntos como quando vocês eram bebês, daremos colo, um ao outro, dividiremos  fragilidades, nos somaremos outra fez, porque nossa força só existe na união. Seremos sempre família, morada tranquila, aqui nada de ruim pode acontecer. A mamãe tem colo em qualquer idade, em qualquer circunstância, aqui tem cafuné garantir.

Onde tem amor, tem essa paz...mansidão, vontade de viver 100 anos.
Minha alma, espírito e corpo pertence a vocês.
Pulso vocês!
Amores uma vida e outras tantas, por vocês e para vocês 
Paulo e Victor, minha infinita melhor versão.
Beijos neuróticos da mamãe.

Arielli 
@ariellimargiotta






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Você esta no Ar......

Escrevo a ultima crônica do ano 2018,  afinal em 4 dias encerramos mais um tempo. Aquela sensação de - pode encerrar a conta, já esta na minha boca, manja? Aquele grito de acabou, pode fechar já ecoa aqui onde estou. Se é bom? Não sei, acho que é. Encerro esse ano feliz, confiante, agradecida por tantos bons encontros, grata pelos muitos trabalhos que fiz, alegre por  cada nova amizade, animada com o futuro, cansada com o coração que vive as voltas com paixões erradas, triste pela perda de algumas pessoas, decepcionada com alguns amigos, ou seja um balanço bem realista, porque a vida não pode ser perfeita, caso fosse, seria um saco.  E  olha que eu um dia já pensei que vida boa é vida calma,  tipo comercial de margarina, que ilusão a minha. A vida boa é feita de  maré alta, turbilhão, loucura, desatino e confusão, e o mesmo segue na logica do ano. O ano bom  é  aquele que você termina sem saber como foi que começou, qua...

Esqueceram de nos contar.

E por que é mesmo que não nos contaram tudo sobre as sutilezas da vida? Contar é diferente de falar, contar no contexto   é  ensinar com exemplos vividos o que é  avesso aos discursos moralistas e bregas que estão por ai nos rondando. Por que sera que não nos avisaram que a cada dia que se vive é mais um próximo de morrer. Por que sera que não explicaram que amar alguém é o mesmo que servir de casa para o outro habitar, mesmo que  sem dia  certo para partir, se é que isso ocorre em tese,  porque eu  desconfio que alguns moram para sempre na forma de lembranças e saudades. Por que será que ninguém contou que para cada sorriso contagiante haverá  muitas lagrimas de profunda tristeza, decepções e vazio,  afinal só sabe-se feliz quem já saboreou a amarga infelicidade e não precisa busca-la, ela vira ao seu encontro, como um predador faminto e voraz. Por que será que ninguém explicou que não ha plenitude, ninguém é capaz de ser pleno......

124 motivos para escrever

 Graças a terapia e a pergunta ecoante da minha psicologa Sandra, hoje escrevo sob a regência enérgica numero 124. O numero de 3 dígitos representa  aqui a quantidade de cronicas que residem alegremente ou não por aqui, afinal nem todos os textos são felizes, nem todos são esperançosos e certamente nem todos iguais e muito menos fáceis de ler. Aqui eu já escrevi  sobre quase tudo... de dores da alma, de cabeça e de cotovelo, escrevi sobre maternidade, culinária, família, empregos, viagens, vazios, noias  e  amores, esse ultimo eu ainda escrevo ao som de Gil...(pra não perder o costume ). Não há o que perdoar Por isso mesmo é que há De haver mais compaixão.... Quem poderá fazer Aquele amor morrer Se o amor é como um grão! Escuto essa musica no auge dos meus 40 anos querendo ser o  Drão  do Gil, querendo ser a Julia Robert de Pretty Woman e de quebra no caso de sobrar um bônus, to aceitando ser a Gaga em Quando Nasce uma Estrela, ando querendo ser ...