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Quando há saudades, dê!

E la vamos nos preparando  para a chegada de agosto, mês que marca o dia dos pais e eu logo penso na saudades que sinto do meu, eu sei, que é uma data comercial, mas meu véio curtia demais esses almoços, ele escolhia o cardápio  como ninguém, gostava de participar de tudo, mas não colocava a mão na massa, meu pai nunca cozinhou nada na vida. Nossa cozinha virava festa como boa família italiana que somos, com direito a musica, gritaria e brigas para saber o que e quem cozinhava melhor, competições culinárias em casa de italianos é bem comum!! Nossa cozinha era divertida, tipo ringue de briga de galo, manja? Nos últimos anos meu irmão ganhava a batalha da cozinha para minha mãe e eu? Bom eu curtia ficar dançando com meu pai e com  uma bela taça de vinho nas mãos, para desespero da minha mãe que sempre se irritou com o volume das musicas que eu colocava obrigatoriamente no máximo, não bastasse isso, meu pai cantava, Pepino Di Capri!!
Claro que com o passar dos anos a gente vai inventando formulas para apartar a dor.
Já fiz tantas coisas nesses 8 anos sem meu pai que eu deveria me considerar uma expert na arte de disfarçar o domingo do dia dos pais, mas na real,  justamente nesse dia minha criatividade fica mais baixa que um anão da Branca de Neve. Já tive ano que passei com meus filhos, que até tem pai, mas resolveram de alguma forma me homenagear passando comigo, assim tenho a sensação de ser pai e mãe ( que por vezes fui mesmo), já passei em lanchonetes, casa de outros pais que nunca substituirão o meu, mas foram incríveis em me receber como filha, ja passei em  casa de amigos sem pai como eu,  e até trabalhando eu passei, só para fazer de conta que não era dia dos pais.
Na vida fui aprendendo na marra e na dor que quando há saudades., dê!
Devolva...e isso vale para qualquer dia que pode ou não ser especial, escrevo sobre o dia dos pais, mas, no fundo serve para qualquer saudades, porque saudade é uma doença danada de traiçoeira e chega sem pedir licença.
Esses dias mesmo eu estava numa livraria, e toda vez que eu visito a uma, eu faço um delicioso exercício de me desligar do mundo, só que dessa vez não consegui, porque meus olhos fitaram um casal tão lindo que eu não pude não observa los.
Parecia que ambos não se viam a décadas, ele rodopiou a moça, beijo e rodopiou novamente, ela, nem vermelha ficou, acompanhou o movimento e devolveu os beijos e o carinho do rapaz.
A cena poderia acabar ali de tão linda e cheia de vida que foi, mas eles estavam de fato com saudades, então houveram mais abraços, mais giradas de 180 graus, declarações ao pé do ouvido, risadas, certamente algo que só pertence a eles, por isso o riso, quando estamos apaixonados fazemos piadas que só quem nos ama entende e acima de tudo ri, porque na paixão cabe tudo, até piadas infames.
De repende fica claro que  aliviar a saudades, seja de alguém, de um dia feliz,  de uma viagem, de uma comida é algo mais gostoso que a própria alegria de ser quem somos,  porque a gente nunca sabe ao certo quem somos.
Porque cá entre nos, você até pode ser um cara ou uma mina mais  feliz do mundo, mas se não tiver saudades no meio do caminho da existência  não tem o menor sentido.
Logo posso concluir como o titulo do texto é real!! quando tiver saudades, dê, ou melhor distribua, não importa como, mas faça.....porque sempre haverá alguém como eu, em algum lugar seja uma livraria ou em alguma  rua de qualquer lugar do planeta....só esperando cenas assim para se inspirar  e escrever que a saudades é entre todos os sentimentos descritos na língua portuguesa o que não tem tradução para qualquer outro idioma, e isso deve no minimo significar algo, não acha?

Beijos com a saudades de sempre, aquela que você conhece, impaciente, amorosa, real e tanto faz se é brasileira ou italiana.


Arielli



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